Como eu estava falando no post anterior, o MMOG City of Heroes adotará uma ferramenta que permite aos usuários criar conteúdo para o jogo em forma de missões.
Para detalhar mais o assunto, conversei com alguém do ramo: o coordenador do curso de Jogos Digitais da Unisinos, João Ricardo Bittencourt.
Gaming Adventures: Porque mesmo após o advento da web 2.0 e todos os sites colaborativos, o gênero de MMOG demorou tanto para adotar uma ferramenta como essa?
João Bittencourt: Esta é uma ótima questão. Existem vários complicadores em oferecer uma ferramenta web 2.0 para compartilhar conteúdo. A primeira eu diria que é o próprio arco narrativo da estória. Se cada um cria uma estória corre-se o risco de deturpar a idéia do cenário. O Neverwinter Nights não é um MMORPG mas permite que os jogadores criem suas aventuras e compartilhe-as. Entretanto são criadas “ilhas”, instâncias do mundo, sem prejudicar a estória principal. A segunda questão é a complexidade de criar estas estórias. Deve-se seguir um padrão, um determinado formato.

Neverwinter Nights II
Não é tão simples, quanto compartilhar um texto ou vídeo na Internet. E por último, sem dúvida existe a questão do armazenamento e poder de processamento do servidor.
GA: Existem riscos, do ponto de vista do design de jogos, para a adoção dessa(s) ferramenta(s)?
JB: Como comentei na primeira resposta, sim existe risco em deturpar principalmente a estória, o universo do jogo. Não tem como criar uma ferramenta para validar as estórias automaticamente. Teria que um operador humano que conferir cada estória para vertificar-se que não altera o sentido do mundo.
Se for aberto demais corre-se o risco de criar um Second Life, onde o usuário pode fazer tudo e ao mesmo tempo não existe nada para fazer. Do ponto de vista de balanceamento, vai depender da liberdade que será dada ao jogador. Se poderes/habilidades não forem alteradas garante-se o balanceamento. No momento que até isso possa ser mudado, daí sim o balanceamento já era.
GA: Como você avalia essa jogada da NcSoft?
JB: No ponto de vista é uma jogada genial. Primeiro pelo diferencial, nenhum outro MMO que eu conheço oferece a possibilidade de criar as quests. Para resolver o problema do arco narrativo, pensou-se em algo que os quadrinhos fazem a tempo – multiversos. É possível existir uma série de estórias paralelas em cima de Paragon City. São múltiplas instâncias de pequenos mundos dentro do MMO. O Mission Architect inclusive procura facilitar o desenvolvimento (conforme a FAQ é possível fazer uma aventura simples de 10 a 15 minutos), irá recompensar os jogadores que criarem estórias com XP e irá categorizar/destacar as estórias mais jogadas.
GA: E uma pergunta bônus: Alguém pode bater o World of Warcraft?!
JB: Bom quanto ao WoW, tá dificil de derrubar. Agora no início de março saiu na imprensa que a Blizzard possui 15 milhões de assinantes! A promessa de derrubar o WoW, o Warhammer não conseguiu cumprir. A Blizzard continua apostando na centralização, ela faz tudo e oferece um servidor de qualidade para seus jogadores. Uma coisa é certa: um dia o WoW vai cair, mas acho que ainda vai demorar.
3 Comentários
9 09UTC Março 09UTC 2009 ás 14:51
Ficou massa a matéria meu. Não sabia que tinha possibilidades de jogos onde tu faz a historia. Bem interessante…
Quanto à Blizzard, o Diablo 3 ta pra sair e manter a empresa no topo da lista por mais alguns anos..eheheh
Abração.
11 11UTC Março 11UTC 2009 ás 01:48
Coincidência, eu sou amigo de um Ricardo Bittencourt no Orkut que foi um dos pioneiros no desenvolvimento da emulação de MSX no Brasil e hoje integra o grupo responsável pelo melhor emulador existente para PC daquele sistema, o BlueMSX. Mas não pode ser o mesmo cara, acho que ele é de São Paulo ..
12 12UTC Março 12UTC 2009 ás 12:33
Bem afude a materia. Também admito que nao tava ligado nessa onda de compartilhar e criar estorias.
Velho, mudando de assinto, eu desisto de procurar o Warhammer aqui. Esses chicanos aqui só querem saber de jogar WOW.